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Quase metade das mulheres brasileiras já foi assediada em ruas, transporte e bares, diz estudo

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Quase metade das mulheres brasileiras já foi assediada em ruas, transporte e bares, diz estudo


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Importunação
Foto: Reprodução
Importunação
Foto: Reprodução

Quem não conhece ao menos uma mulher que, em algum momento da vida, foi vítima de assédio? A maioria dos brasileiros teve contato com mulheres que se tornaram alvo de um toque físico indesejado, comentários maldosos, um olhar fixo que incomoda, entre tantas outras importunações desagradáveis. De acordo com pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis, divulgada na quarta-feira (10), 47% das mulheres brasileiras, o que corresponde a um total de 42.467.472, já sofreram assédio em ruas, transportes públicos, bares, ambiente de trabalho e até na própria casa.

No caso da cozinheira Cássia Brito, de 42 anos, os comentários desagradáveis e a tentativa de toque veio por parte do ex-padrasto quando ela tinha 17 anos e ainda morava com a mãe, no bairro de Itaquera, na zona leste de São Paulo.

Cássia diz que o assédio começou com comentários sobre o seu corpo, normalmente quando a mãe estava distante ou fora de casa. “Teve um dia que ela foi para a casa de uma amiga e eu fiquei assistindo televisão. Meu padrasto chegou do trabalho, tomou banho e depois ficou sentado no sofá da frente só me olhando, até que eu me senti incomodada e perguntei: ‘O que foi?'”

Em seguida, segundo a cozinheira, o ex-padrasto começou a elogiá-la e sentou ao lado dela. Nesse momento, ele passou a mão na perna de Cássia e tentou beijá-la. “Eu senti tanto nojo, me levantei e comecei a gritar com ele. Falei que contaria tudo para a minha mãe e ele disse que eu estragaria nossa família e os sete anos de casamento que tinha com ela”, disse.

Cássia, inicialmente, não teve certeza se contaria para a mãe pelo medo de ela não acreditar em sua versão. Com isso, ela decidiu, então, morar por um tempo com os avós, até que o ex-padrasto saísse de casa. “Depois de três anos e muitas brigas entre os dois, minha mãe viu quem realmente ele era e teve coragem para colocá-lo para fora”, afirma.

A historiadora e especialista CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) em diversidade de raça e gênero Giselle dos Anjos Santos explica que o assédio mostra a recorrência da “cultura de estupro”. “É uma percepção presente no imaginário social de que os corpos das mulheres estão disponíveis, independente de consentimento ou não. E alguns corpos são vistos dessa forma com ainda mais ênfase, como é o caso das mulheres negras”, disse.

Ela diz, ainda, que toda situação de assédio é negativa, independentemente de onde aconteça, mas o fato de que mulheres e meninas não possam estar seguras nem mesmo no ambiente familiar “demonstra quanto a violência de gênero está imbricada na sociedade e a urgência de transformar essa realidade”.

O objetivo do estudo do Instituto Cidades Sustentáveis, realizado juntamente com o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), foi verificar a percepção da população brasileira sobre as desigualdades no país. Com entrevistas realizadas entre 1º e 5 de abril deste ano, os dados representam uma mostra de todo o Brasil, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

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