Covid-19: RJ avalia suspender cirurgias eletivas em hospitais públicos por falta de profissionais de saúde

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) estuda suspender a realização de cirurgias eletivas no Rio de Janeiro em razão da grande quantidade de profissionais de saúde afastados com Covid-19, entre outros motivos. A mudança consta num esboço de resolução da pasta, portanto ainda não tem validade oficial. Nas últimas semanas, o rápido avanço da variante Ômicron, somado à epidemia de influenza, retirou muitos médicos, enfermeiros e trabalhadores da saúde da linha de frente contra a pandemia: só na capital, 20% desses profissionais foram afastados por uma das duas doenças de dezembro para cá, segundo a Secretaria municipal de Saúde (SMS).

A minuta de resolução da SES leva em conta o fato de que “o aumento no número de casos de Covid-19, em face da variante Ômicron, (...) também afeta os profissionais de saúde, resultando no acréscimo do número de afastamentos pelos casos positivos”. Ela também considera “que a situação demanda o emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública”.

O texto propõe a suspensão de todos os procedimentos cirúrgicos eletivos nos hospitais gerais públicos e universitários, com exceção das cirurgias oncológicas e cardiovasculares, no estado do Rio de Janeiro, por tempo indeterminado. Nos termos da minuta, hospitais gerais públicos e universitários no estado só realizarão procedimentos cirúrgicos de urgência e emergência. A adoção da medida está sendo pactuada entre a SES e o Conselho das Secretarias municipais de Saúde do Rio de Janeiro (Cosems-RJ).

Na cidade do Rio, a Covid-19 e a influenza provocaram 5,5 mil afastamentos desde o mês passado. Para o virologista Amílcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Ômicron mata de forma indireta ao tirar da linha de frente profissionais da saúde expostos ao coronavírus.

— É a mortalidade indireta, já que pode atrasar tratamentos e diagnósticos, pois muitos estão deixando de trabalhar. É preciso fazer um protocolo para retornar com esses profissionais o mais rápido possível. O desespero é tanto pelo mundo, que países tem deixado seus funcionários trabalharem com Covid, o que é algo bem complicado — argumenta.

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