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Morre aos 81 anos Erasmo Carlos, o Tremendão

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Morre aos 81 anos Erasmo Carlos, o Tremendão


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Erasmo Carlos
Foto: Reprodução
Erasmo Carlos
Foto: Reprodução

O cantor Erasmo Carlos, morreu aos 81 anos de idade nesta terça-feira (22). O cantor estava internado há mais de uma semana em um hospital no Rio de Janeiro e foi entubado na segunda-feira (21).

O Tremendão, como era conhecido desde os tempos da Jovem Guarda, movimento do qual foi um dos ícones ao lado de Roberto Carlos e Wanderléa, deixa a esposa, Fernanda Passos, com quem se casou em 2019, e dois filhos, Gil e Leonardo, que ele teve com a primeira mulher, Sandra Sayonara Saião Lobato Esteves, a Narinha, que morreu em 1995. Erasmo já tinha perdido o filho do meio com Nara, Alexandre, vítima de morte cerebral causada por um acidente de moto em 2014.

Ator, multi-instrumentista e escritor, Erasmo deu entrada no Hospital Barra D’or, na Zona Oeste do Rio, no dia 17 de outubro para realizar exames complementares e ajuste terapêutico para um quadro de síndrome edemigênica — quando há um desequilíbrio das forças bioquímicas que mantém os líquidos dentro dos vasos sanguíneos, causando retenção e edemas pelo corpo. No domingo (30), sua morte chegou a ser erroneamente anunciada pelo jornal Folha de S. Paulo, o que levou o artista a se manifestar em 2 de novembro, Dia de Finados, quando teve alta.

“Bem simbólico… Depois de me matarem no dia 30, ressuscitei no Dia de Finados e tive alta do hospital! Obrigado a Deus, a todos que cuidaram de mim, rezaram por mim e torceram pela minha recuperação… Essa foto com a Fernanda traduz como estamos felizes”, afirmou Erasmo na ocasião, ao publicar em seu Instagram uma foto ao lado da mulher.

UM GIGANTE GENTIL COM FAMA DE MAU
Carioca da Tijuca, no Rio, Erasmo era filho de mãe solteira e só conheceu o pai quando já tinha 23 anos – contava que nunca conseguiu desenvolver uma relação de filho com ele, mas que os dois construíram uma boa relação. Ainda criança conheceu Tim Maia, que ainda era Sebastião, com quem aprendeu violão e de quem ficou amigo na adolescência, quando os dois se apaixonaram pelo tal do rock ‘n’ roll. Juntos fundaram o The Sputiniks, a banda que tinha aquele que seria o grande parceiro de Erasmo: Roberto Carlos. Com o o fim do grupo, formou outro, o The Boys of Rock, mais tarde The Snakes, que acompanhou os dois cantores em seus shows solos.

Com Roberto, que era padrinho de Alexandre, a afinidade era grande: os dois gostaram de rock, dos ídolos da época como Marlon Brando e Marilyn Monroe, e também do Vasco da Gama, o time de coração. A dupla ao longo das décadas seguintes faria sucessos como Detalhes, Além do Horizonte, Se Você Pensa, As Curvas da Estrada de Santos, Emoções, É Proibido Fumar, entre um repertório conjunto de cerca de 400 músicas em quase seis décadas, pelas contas do próprio Erasmo. Ao lado amigo e de Wanderléa, comandou o programa Jovem Guarda, que de 1965 a 1968 na TV Record apresentou aos brasileiros o iê-iê-iê, o movimento cultural influenciado pelos Beatles que mudou a juventude da época.

Foi ali que Erasmo ganhou o apelido de Tremendão. Minha Fama de Mau, a canção que depois virou nome de sua autobiografia, em 2009, e do filme sobre sua vida com Chay Suede vivendo o cantor, já mostrava porque Erasmo, que tinha 1,93 metro, também era chamado de o Gigante Gentil: “Perdão à namorada / É uma coisa normal / Mas é que eu tenho / Que manter a minha fama de mau”. Compositor de mão cheia, escreveu sucessos desde cedo: Maria e o Samba, Gatinha Manhosa e Festa de Arromba; Toque o Balanço, que ele e Roberto fizeram e foi gravado por Elza Soares; Sentado à Beira do Caminho e Coqueiro Verde, também com ele . Como contou décadas mais tarde, a fama de mau, o visual roqueiro, o jeito “machão” ajudaram a construir a imagem – ele também assumiu que era machista.

Nos anos 70, Erasmo absorveu influências do soul e do movimento hippie e deu uma leve guinada em sua música, que já aparece no álbum Carlos, Erasmo em 1971. Depois vieram Sonhos e Memórias, Projeto Salva Terra e Banda dos Contentes e Pelas Esquinas de Ipanema. O cantor entrou na década de 1980 com Erasmo Convida, com 12 canções interpretadas ao lado de nomes como Tim Maia, Rita Lee, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e Jorge Ben, entre outros.

Em seguida lançou Mulher, álbum que tinha Mulher (Sexo Frágil), feita para Narinha, Pega na Mentira e Feminino Coração de Deus. Vieram depois outros cinco álbuns, quase um por ano na década. É de 1984 Close, que ficou conhecida como Dá Um Close Nela, homenagem a Roberta Close , transexual famosa na época e primeira a estampar a capa da revista Playboy no país. Erasmo, que compôs a música com Roberto, gravou um clipe, considerado um marco.

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