Setores do Judiciário e integrantes do governo têm demonstrado preocupação com o desfile que vai homenagear presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – e esse alerta já chegou ao Palácio do Planalto.
Nos bastidores, a avaliação é de que o evento pode abrir uma frente de questionamento na Justiça Eleitoral, caso seja interpretado como propaganda eleitoral antecipada ou como uso de estrutura e espaço públicos com finalidade política.
Ministros e assessores que acompanham de perto a jurisprudência do tribunal lembram, reservadamente, o precedente envolvendo Jair Bolsonaro (PL), que acabou ficando inelegível após o entendimento de que houve uso da máquina pública e de instalações oficiais para fins eleitorais, no episódio da reunião com embaixadores. Bolsonaro está preso na Papudinha.
Em 30 de junho de 2023, o TSE condenou Bolsonaro por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível por 8 anos até 2030. A reunião ocorreu em 18 de julho de 2022 no Palácio da Alvorada, com estrutura governamental para apresentar suspeitas infundadas sobre urnas eletrônicas a embaixadores estrangeiros.
O receio agora é que o desfile em homenagem ao presidente venha a ser enquadrado em lógica semelhante e acabe judicializado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dentro do governo, aliados de Lula monitoram o tema e avaliam possíveis impactos políticos e jurídicos, inclusive pelo risco de desgaste eleitoral em um momento sensível do calendário pré-eleitoral.
A preocupação é reforçada pelo fato de que, no próximo ciclo, o TSE será comandado por Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo por Bolsonaro – dado considerado relevante por integrantes do próprio Judiciário e por interlocutores do governo.
Nos bastidores, esse é hoje um dos principais pontos de atenção do governo: evitar que um ato simbólico de homenagem ao presidente acabe se transformando em um problema jurídico e eleitoral e em mais um foco de desgaste político em meio a um cenário já delicado entre os tribunais.
Ações no TSE
O partido Novo entrou nesta terça-feira (10) com uma representação no TSE contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e a escola de samba Acadêmicos de Niterói, acusando os representados de propaganda eleitoral antecipada por causa do samba-enredo escolhido pela agremiação para o Carnaval de 2026.
O samba-enredo da escola é “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Segundo o partido, o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e passa a funcionar como peça de pré-campanha ao associar a trajetória política de Lula a elementos típicos de campanhas eleitorais.






