Cientistas da UFF, da Fiocruz e UFJF identificaram, pela primeira vez, uma linhagem do vírus Oropouche que circula no Sudeste do Brasil. Publicada em janeiro deste ano, a pesquisa acompanhou 55 pacientes infectados entre dezembro de 2024 e maio de 2025 nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O vírus Oropouche é historicamente associado à região amazônica, mas “a avaliação da árvore genética mostrou que o vírus passou por modificações e se adaptou à região Sudeste”, explica um dos responsáveis pelo estudo, o infectologista Ezequias Batista Martins, da Faculdade de Medicina da UFF.
A análise genética mostrou que os casos do Sudeste são resultado de uma nova linhagem viral, resultado da reorganização do material genético do Oropouche.
Para Martins, essa linhagem pode resultar no estabelecimento do vírus na região, com possíveis períodos de maior ou menor incidência.
Sintomas
Publicado na revista científica Open Forum Infectious Diseases, o estudo também identificou características clínicas que ajudam a diferenciar o vírus Oropouche de outras doenças comuns no Brasil, como dengue, zika e chikungunya.
A maior parte dos pacientes reclama de sintomas como forte dor de cabeça, mal-estar, febre e dor muscular — cerca de 45% também relataram manchas na pele. Os pesquisadores, no entanto, também observaram que a doença possui um segundo período agudo: em cerca de um terço dos casos, os sintomas retornaram até uma semana após a melhora inicial.
Os pesquisadores destacam que o vírus não é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, mas por um inseto muito menor, conhecido como maruim, presente em margens de rios e cachoeiras.
Outra descoberta importante, segundo os pesquisadores, é a possibilidade de um diagnóstico tardio utilizando exames de urina. O RNA do vírus Oropouche, dizem os cientistas, pode permanecer detectável na urina por mais de três semanas: “Esse exame prolongado permite confirmar que se trata da mesma infecção e pode ajudar a melhorar o diagnóstico e a vigilância epidemiológica”, explica a pesquisadora Anielle Pina-Costa, da Escola de Enfermagem da UFF.
Para os pesquisadores, identificar essa nova linhagem e suas características clínicas específicas reforça a necessidade de ampliar a vigilância epidemiológica e disseminar o conhecimento sobre a doença na rede de saúde — sobretudo diante do risco de expansão geográfica do vírus no país.






