O mercado de academias tem se destacado como um dos que mais atraem novos empreendedores no país, estimulando a economia local. No Estado do Rio de Janeiro, um levantamento do Sebrae Rio mostra que, entre 2021 e 2026, o setor de atividades de condicionamento físico registrou crescimento de 34,6% no número de empresas, saltando de 4,4 mil para 6 mil estabelecimentos. Especialistas explicam esse fenômeno e o impacto na economia fluminense.
O mercado esportivo vive um momento de forte expansão do setor: o número de centros de atividades físicas no Brasil quase triplicou em uma década, passando de 22.581 em 2015 para 62.718 em 2025, segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 2025.
No Brasil, o faturamento de academias reflete o tamanho e a estrutura de cada operação. De acordo com o panorama, as academias de pequeno porte — típicas de bairros com número moderado de alunos — costumam registrar faturamento mensal mais modesto, frequentemente na faixa de R$ 10 mil a R$ 50 mil, dependendo da base de membros ativos e da adesão a serviços extras, refletindo que mais de 40% dos estabelecimentos se situam nesta faixa de receita mensal.
Já as academias de médio porte, com maior número de alunos e serviços complementares, tendem a alcançar faixas de faturamento mensais mais elevadas, impulsionadas pela maior retenção e pela oferta de modalidades diversas, enquanto as grandes redes e operações completas — que incluem franquias — apresentam receitas significativamente maiores, com unidades individualmente faturando acima de R$ 100 mil mensais em muitos casos.
O setor de academias também tem ganhado força no Estado do Rio, acompanhando a expansão do mercado de saúde e bem-estar observada em todo o país. Além de estimular novos negócios, o segmento gera empregos diretos e indiretos como instrutores, recepcionistas, profissionais de limpeza, educadores físicos, equipes administrativas, marketing, fornecedores de insumos, moda fitness e nutricionistas, contribuindo de forma significativa para a economia local.
Um levantamento feito pelo Sebrae Rio, com base em dados da Receita Federal, aponta que o Estado contabiliza cerca de 6 mil empresas ativas no segmento de atividades de condicionamento físico em 2026. A maioria é formada por micro e pequenas empresas, que representam 94% do total, o equivalente a aproximadamente 5,6 mil estabelecimentos.
Entre 2021 e 2026, o número de empresas do setor cresceu 34,6%, passando de 4,4 mil para 6 mil no estado. Apenas entre 2024 e 2025, o avanço foi de 11%. Segundo o Sebrae, a tendência reflete a maior busca da população por serviços de saúde preventiva, academias de bairro, estúdios especializados e iniciativas independentes de treinamento físico.
A capital fluminense concentra a maior parte dos negócios, com cerca de 2,6 mil academias, seguida por Niterói (348), São Gonçalo (209), Nova Iguaçu (191) e Duque de Caxias (181).
Para a gerente de Mercado do Sebrae Rio, Raquel Abrantes, o crescimento do setor está diretamente ligado às mudanças de comportamento da população e às novas oportunidades de mercado. “A constante procura por saúde, bem-estar e estilo de vida ativo impulsionou empreendedores nesse segmento, que é considerado um dos mais promissores atualmente”, afirma.
Para ela, a expansão é resultado de uma convergência de fatores, que vão desde os impactos da pandemia até o fortalecimento da cultura fitness nas redes sociais. “Observa-se uma maior consciência sobre qualidade de vida, prevenção de doenças e longevidade, o que leva mais pessoas a frequentar academias ou adotar movimentos fitness. A ampla utilização de redes sociais, influenciadores fitness e estética corporal, estimularam a procura por estilos de vida ligados à saúde e ao bem-estar”, explica.
“Com a intensa procura por esse nicho [academias], surge uma maior demanda de oportunidades, com diferenciados subnichos — só para mulheres, evangélicos, crossfit, emagrecimento e yoga , por exemplo — e investimentos”, acrescenta.
Raquel destaca ainda que o Rio segue a tendência nacional e se mantém entre os estados com maior número de academias no país, junto com São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.
“O Brasil lidera o ranking no cenário latino-americano com expectativas constantes de crescimento. Dentro deste cenário regionalizado, o Rio está entre os seis estados com maior número de academias no Brasil, seguindo a tendência nacional de crescimento, com muitas academias e forte demanda por atividades físicas, incluindo atividades ligadas ao estilo de vida carioca, com praia, sol e esportes ao ar livre”, pontua.






