O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, vai anunciar após reunião no fim da tarde da quarta-feira (18) se dará início ao ciclo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira.
A expectativa do mercado era de corte da taxa Selic de 0,25 a 0,50 ponto percentual, já que havia sido sinalizado o recuo na última reunião, em janeiro.
No entanto, com a escalada do preço do petróleo após acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã, parte dos analistas voltou a apostar que não haverá redução da taxa básica, sendo mantida a 15% ao ano.
Os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção de petróleo, já pressionam os preços dos combustíveis no Brasil.
A Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 por litro para as distribuidoras, no último sábado (14). A alta pode pressionar os fretes, a inflação e elevar o risco Brasil.
O aumento da Selic é uma forma de controlar o aumento de preços. Quando os juros aumentam, o crédito fica mais caro, desestimulando a produção e o consumo. No entanto, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.
A taxa Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025. O Banco Central manteve esse patamar, o maior desde 2006, em reuniões consecutivas, incluindo a primeira de 2026. O ciclo de alta começou em setembro de 2024.
Em janeiro, o Copom indicou um provável corte de juros na reunião de março, porém reforçou que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.
Desde a última reunião, a projeção de IPCA passou de 4% para 3,9% para 2026 e permaneceu em 3,8% para 2027 e a taxa de câmbio passou de R$ 5,35 para R$ 5,20.
“Acreditamos que a projeção de inflação para o horizonte relevante deve registrar uma elevação, permanecendo acima da meta. No entanto, dada a volatidade recente dos preços de ativos e o elevado nível da taxa de juros, acreditamos que o início de ciclo de cortes gradual seja mantido”, afirma nota da equipe econômica do C6 Bank.
A possibilidade de uma alta permanente nos preços do petróleo, diante da tensão no Oriente Médio, reforça a necessidade de cautela na condução dos juros, o que sugere uma postura mais gradual até que a incerteza seja dissipada.
A equipe do C6 Bank projeta que o Copom irá cortar a Selic em 0,25 ponto percentual nesta reunião, levando os juros a 14,5%.
“Diante da volatilidade no cenário externo, o Comitê deve manter cautela na sinalização dos próximos passos de política monetária. Por ora, mantemos nossa projeção de Selic em 12,5% ao final de 2026″, acrescenta o banco.
Para a Warren Investimentos, a expectativa é de início do processo de calibragem com um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic.
“No entanto, não descartamos a possibilidade de o Banco Central adotar uma postura mais conservadora diante dos riscos provenientes do cenário externo e iniciar a calibragem com um corte de menor magnitude”, avalia em nota.






