Há duas décadas, a rica em petróleo Arábia Saudita busca acesso à tecnologia nuclear. Agora, um acordo com Washington para formalizar o objetivo de Riad gerou preocupações de que a iniciativa, somada às consequências turbulentas da guerra entre os EUA e o Irã, possa mergulhar a região em uma nova corrida armamentista.
A parte mais controversa do acordo — que, segundo relatos, concede à Arábia Saudita a opção futura de enriquecer urânio em seu próprio território com menor supervisão da AEIA (Agência Internacional de Energia Atômica) — provocou as reações mais fortes entre comentaristas iranianos, israelenses e americanos.
Mas, em Teerã, onde Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra em fevereiro para destruir o programa nuclear iraniano — movimento que levantou a possibilidade de o país rever sua doutrina e desenvolver uma bomba atômica —, algumas autoridades receberam a possibilidade de uma nova corrida nuclear com certo entusiasmo, questionando: por que os sauditas poderiam ter capacidades nucleares e o Irã não?
“Naturalmente, se uma corrida armamentista tomar conta desta região, teremos mais liberdade de ação do que qualquer outro país”, disse o porta-voz do Ministério do Interior do Irã, Ali Zeinivand, a jornalistas na noite de quarta-feira (22), segundo a mídia estatal. “Os Estados Unidos têm um histórico de discriminação: em alguns lugares dizem que certos países devem ter programas nucleares, enquanto em outros afirmam que não devem.”
O jornal conservador iraniano Hamshahari afirmou que Washington adota “dois pesos e duas medidas” e acusou Riad de ter desempenhado um papel nos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.
“Enquanto ataca o programa nuclear pacífico do Irã e lança uma guerra total na região, agora concede a um país islâmico fundamentalista, que teve participação nos ataques de 11 de setembro, o direito de enriquecer material nuclear, correndo o risco de proliferação nuclear”, afirmou o jornal.
Embora 15 dos 19 sequestradores envolvidos nos ataques de 11 de setembro fossem cidadãos sauditas, o reino sempre negou qualquer envolvimento governamental nos atentados. Os Estados Unidos sustentam há muito tempo que seu parceiro estratégico não teve papel nos ataques e que a Al-Qaeda agiu por conta própria ao sequestrar quatro aviões comerciais e lançá-los contra as Torres Gêmeas, em Nova York, e o Pentágono.






