O professor Marcelo de Oliveira Souza, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes, desenvolveu uma rota mais rápida para chegar a Marte. A pesquisa do doutor em física indica a possibilidade de reduzir em até três vezes o tempo de viagem até o planeta vermelho.
Conforme explicou o pesquisador em entrevista à CNN Brasil, a ideia começou a ser desenvolvida ainda em 2015, quando ele analisava asteroides com órbitas próximas às da Terra e de Marte. A partir dessas observações, ele passou a considerar o uso dessas trajetórias como base para encurtar o percurso entre os dois planetas.
“Eu não trabalho em agência espacial. Eu sou um professor aqui na Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos de Goytacazes, e consegui um resultado novo que permite uma viagem mais rápida para Marte, usando como base a trajetória de um asteroide.”Marcelo de Oliveira Souza
Na época, porém, a limitação de recursos tecnológicos dificultava os avanços. As simulações eram feitas de forma lenta, sem o suporte computacional necessário. Anos depois, com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, Souza conseguiu retomar o estudo e alcançar resultados mais consistentes.
Os dados apontam para a existência de “corredores geométricos” no espaço, que poderiam tornar as missões interplanetárias significativamente mais rápidas. Um dos cenários analisados leva em conta uma posição específica de Marte prevista para 2031, considerada favorável para esse tipo de trajeto.
Pelos modelos tradicionais, uma viagem ao planeta vermelho pode levar de dois a três anos. Com a nova proposta desenvolvida pelo professor campista, esse tempo cairia para um intervalo entre 153 e 226 dias — cerca de sete meses no cenário mais viável.
O estudo, intitulado “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”, foi aceito para publicação na revista Acta Astronautica, vinculada à Academia Internacional de Astronáutica. O artigo completo, com os detalhes técnicos, deve ser divulgado em breve.
Mesmo fora de grandes centros internacionais ou agências espaciais, o pesquisador destaca que o trabalho foi desenvolvido a partir de Campos dos Goytacazes, onde atua como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Segundo ele, o estudo apresenta uma alternativa inédita para reduzir o tempo de viagens até Marte com tecnologias já disponíveis.






