O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira a “jogatina desenfreada” e disse que, se depender dele, as casas de apostas vão parar de funcionar no país.
— Eu quero dizer o seguinte: se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que eles (bets) financiam, eu só não posso citar nomes, porque eu não sou juiz, não sou policial, mas todo mundo sabe os deputados, partidos, quem são os senadores… Todo mundo sabe. Então não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país — afirmou Lula em entrevista ao portal ICL Notícias.
Uma lei aprovada ainda no governo de Michel Temer previa autorização para as casas de apostas esportivas, desde que houvesse regulamentação feita pelo governo federal. Essa etapa só foi levada adiante no governo Lula, quando as bets passaram a funcionar sob determinadas regras.
O presidente afirmou que, em meio ao crescimento do endividamento das famílias, tem discutido com auxiliares soluções para o assunto.
— Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho discutido exatamente isso, se as bets causam o mal que a gente acha que causa, porque a gente não acaba com as bets? Ou você regula para que não tenha tantas bets no Brasil, se é que tem alguma serventia. “Ah, o futebol não pode sobreviver sem as bets”. Mas o futebol sobreviveu um século e meio sem as bets. Então, estamos tentando discutir isso.
Endividamento das famílias
A avaliação do governo é que há uma necessidade de reduzir o comprometimento de renda, que tem aplacado a sensação de bem-estar nas famílias, mesmo nas que têm integrantes empregados e que estão experimentando alta na renda nos últimos anos.
Em março, 80,4% das famílias tinham alguma dívida a vencer — inadimplentes ou não —, superando os 80,2% de fevereiro, como antecipou o blog da colunista do GLOBO Míriam Leitão. É o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), iniciada em 2010.
Diante do alto comprometimento de renda e do endividamento das famílias que se tornou preocupação de Lula nas últimas semana , o governo desenha um programa para renegociação de dívidas. Uma das alternativas em estudo, antecipada pelo GLOBO e confirmada ontem pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, é permitir o uso do FGTS para quitar os débitos.
A equipe econômica discute ao menos dois focos de ação prioritária. Um é para a população de baixa renda com dívidas em atraso entre 60 e 360 dias, que seria estimulada a renegociar seus débitos com desconto e refinanciamento, em uma espécie de novo Desenrola, programa criado em 2023 e que já se encerrou, mas num formato simplificado.





